visite a minha página: www.vejosaojose.com.br/gbolanos.htm

Calendário

Agosto 2010
DomSegTerQuaQuiSexSab
 << <Ago 2010> >>
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031    

Anúncio

Quem está conectado?

Membro: 0
Visitante: 1

rss Sindicação

Dez062009

22:51:45
Corinto- MG

   
  Corinto - MG
                

Guillermo Bolaños (*)

 
04.12.09.2009 00h.30
 
 

 

Umas semanas atrás, estava lembrando dos amigos que fiz, na cidade de Corinto, no estado de Minas Gerais. Na época de estudante, em 1969, eu cursava a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. O primeiro ano sempre foi difícil, e para mim foi mais ainda, porque eu não tinha nenhum parente e nem familiar aqui no Brasil.

O tempo passou rápido. As provas finais do segundo semestre da Faculdade estavam chegando ao fim. Naquela oportunidade, eu tinha que receber um cheque em dólares, que o meu pai comprava no banco de Masaya, na Nicarágua e depois enviava para mim, mês a mês, por carta registrada. Era com este dinheiro que eu pagava toda a minha manutenção e minhas contas.

Uma carta levava 12 dias em média e no mês anterior um funcionário dos correios, tinha-me furtado o cheque do mês. As poucas reservas que sobraram deram só para eu pagar o restaurante de Faculdade. Como não tinha dinheiro, tive que sair da "república", onde morava e mudei-me para uma garagem, na rua dos Otoni.

Esta vaga na moradia, quem arrumou foi o Márcio, que lá morava. Márcio trabalhava na biblioteca da Faculdade e no dia que eu percebi ter sido roubado nos correios, eu estava triste e ele me perguntou o que eu tinha. Ai eu desabafei e contei do cheque, da demora em chegar uma carta, com outro cheque, da falta de dinheiro e por isso me ofereceu a vaga na garagem.

Ele era um amigo especial, muito humano. Estando já quase livre das provas ele me disse, Guillermo, onde você vai passar o Natal e o Ano Novo? Eu respondi, aqui em Belo Horizonte, porque não tenho família e nem dinheiro. Ele então fez a proposta e o convite para ir na cidade dele, Corinto, e passar as festas por lá. Senti a sinceridade no convite, e aceitei, porque não tinha aonde ir mesmo.

Lembro que fomos juntos na Rodoviária antiga de Belo Horizonte, do lado do rio Arruda, para embarcar. O ônibus, era da São Geraldo, uma carroceria Ciferal. Partimos e a primeira parada foi em Paraopebas, lá o Márcio desceu e foi no barzinho, comprou um guaraná para mim, e um pão de queijo.

Eu não tinha descido porque não tinha dinheiro para nada. Época da repressão e dos governos militares, nesta parada, entraram vários militares, no ônibus e procuravam alguém. Depois de pedir documentos para alguns passageiros, seguimos viagem.

Nesta época, a cidade de Curvelo, tinha feito umas melhorias na praça central da cidade e a propaganda era que esta praça seria a mais bonita do interior de Minas Gerais. De fato quando passamos por ali, a praça iluminada parecia muito bonita. Seguindo a viagem, o ônibus chegou ao destino, a cidade de Corinto.

Como a residência da família do Márcio era perto, fomos caminhando e com a malas nos braços. Lá chegando fui apresentado para toda a família que nos esperava, já com um belo jantar na mesa. Devo destacar que pela proximidade com o Rio São Francisco e a cidade de Pirapora, peixe foi o prato escolhido.

Entre uma garfada e outra, fui conhecendo os membros daquela casa que me recebeu, com a hospitalidade, nunca antes vista por mim. O pai, soube depois, tinha sido prefeito de Corinto. A mãe era uma dona de casa doce na sua simplicidade. Balaio, apelido de um irmão dos mais velhos, Olivia irmã mais velha, já casada com o Gilson. Depois vinham Dioneia, que estava noiva do Carlos, gerente de um dos supermercados da pequena Corinto.

Depois Maurinho, mais novo que o Márcio, e Ciduca, apelido da irmã mais nova. Depois daquele maravilhoso jantar, surubim ensopado, com direito a repeteco, saimos o Márcio e Eu, para dar umas voltas, e conhecer o centro, daquela cidade, onde eu passei o meu primeiro Natal e Ano Novo, no Brasil.

Lembro que depois da casa dele que era de esquina, a cerca de 50 metros, seguindo pela rua principal, havia um bar da moda, não lembro o nome, mas a rapaziado toda de Corinto estava lá. Eu como forasteiro, claro chamava a atenção de todos, principalmente das mocinhas do lugar.

Quando era apresentado para elas, e iniciava um diálogo, evidentemente que o meu sotaque, soava como uma melodía, nos ouvidos femininos. Tinha umas que puxavam conversa, só para me ouvir falar. O meu repertório de palavras em português era muito limitado, só que eu já tinha notado que o meu sotaque valia ouro.

Por volta das 23 horas, decidimos voltar para casa, e eu notei, que a porta da frente, não estava fechada. Lá na tranquilidade de Corinto, a porta era só encostada, sem fechar. Pensei comigo, aqui não devem ter ladrões.

O quarto das meninas Dioneia e Ciduca tinha sido requisitado para o Márcio e seu amigo, pois era o melhor da humilde, mas bonita casa. Foi neste quarto, que conhecí chenille, o de lá era cor de abóbora. Nos dias posteriores, o rotina era levantar na hora que desejasse, tomar aquele café da manhã farto e depois ruar, conhecer todos os amigos do Márcio, e evidentemente as amigas.

Lembro do Décio Alvarenga, seu irmão Túlio, um que tinha apelido de Padre Zezê, e muitos outros. Os pontos de encontro eram na praça de esportes, a piscina era lotada, depois saiamos direto para chupar picolés, quase sempre de limão.

Invariavelmente, os rapazes, paravam na sinuca, onde ficavam um bom tempo. A minha primeira impressão ao ver aquela mesa de sinuca, era de jogar, mas como faze-lo, se na minha terra, só se jogava carambola (sem caçapas), e o chamado de "pool", mais americanizado, 15 bolas numeradas e uma branca.

Como entender o valor das bolas aqui, e a contagem, diferente? e quando o jogador arriscava, porque perdia? e se acertasse, porque continuava? Túlio então explicou-me as regras e ai sim, eu aprendi a jogar sinuca, foi Túlio quem me ensinou.

Atualmente, o que eu sei é que o meu amigo Márcio perdeu a vida em Pirapora, afogou-se no Rio São Francisco. Balaio, Maurinho, Olivia, Décio e Túlio ainda moram em Corinto. Dioneia e Carlos em Betim-MG. Ciduca e sua família, em Belo Horizonte, mas o que ficou em mim, daquele Natal e Ano Novo, foi a hospitalidade do povo mineiro do interior, da pequena cidade de Corinto, que não mede esforços, para te receber bem.

A todos eles, agora, 40 anos depois, vai o meu muito obrigado.




      








Links interessantes !Veja agora todas as matérias publicadas na página do site: BLOG Você conhece a Terra de Lagos e Vulcões? Veja BLOGGER1 e BLOGZIP   Fica na América Central, aqui todas as fotos anexadas.NICARÁGUA 

Visite BLOGGER2 mais de 100 fotos do Mundial e da Conquista da Lua-MUNDIALLUA

Mundial de Veteranos de Tênis de Mesa - A CBTM colocou vários videos no seu canal. O mais assistido é este: You TUBE

(*) Guillermo Bolaños é médico em Santa Isabel, SP - BLOGUILLERMO" TEM DOIS ENDEREÇOS, LÁ VOCÊ PODE REVER ALGUMAS DAS MATÉRIAS AQUI PUBLICADAS  http://guillermo.bloggeiro.com/index.htm - http://guillermo.criarumblog.com/index.htm

 

BANNER


 


 




 


Admin · 110 vistos · Deixe um comentário

Link permanente para o artigo completo

http://guillermobolanos.0-yo.com/Primeiro-blog-b1/Corinto-MG-b1-p101.htm

Comentários

Este artigo ainda não tem Comentário ...


Deixe um comentário

Estado dos novos comentários: Em espera





Sua URL será visualizada.

 
Entre com o código contido nas imagens


Texto do comentário

Opções
   (Salvar o nome, email e a url em cookies.)