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Out242009

22:06:18
DEPENDÊNCIA QUÍMICA E DO ÁLCOOL


 
  Dependência química e do álcool 
23-10-2009                  
 

Guillermo Bolaños (*)

     
 

 

Muitas vezes, atuando como médico de posto de saúde na minha cidade, tenho me deparado com uma situação muito difícil. Quase sempre, quem procura é alguém da família, preocupado por causa de um parente dependente químico ou de álcool. O mais complicado é o paciente aceitar que doente. Depois que aceita a situação, deve se submeter ao tratamento, sempre traumático e caro.

Muitos pacientes não aceitam porque tem medo da famigerada abstinência. Alguns sabem que a fase de desintoxicação é lenta e complicada. O apóio da família é fundamental, mas nem sempre é suficiente. Estou falando aqui dos casos em que o tratamento se dá pela concordância do paciente, tenho conhecimento de pessoas que insistem em fazer o tratamento involuntário, sem aceitação do doente.

Quando o paciente é um dos pais, torna-se necessária a autorização dos filhos. Se é um dos filhos, a decisão deve ser autorizada pelos pais, que tem todo o amparo legal.

A cada dia que passa o tratamento é eficiente, embora seja considerado difícil para muitos. Vários psiquiatras, afirmam que este tratamento de desintoxicação é muito válido, pois, muitas vezes, trata-se da única opção para tentar resgatar o paciente do vício.

Para apoiar estas afirmativas, vários médicos, acham que este tipo de tratamento, para ser eficiente, não precisa ser apenas voluntário. Se é feita uma internação involuntária, o primeiro benefício é o de conseguir que o doente não mais se intoxique, uma pequena, mas importante vitória.

Paralelamente, o estado mental do paciente começa a modificar-se a cada dia, sempre para a melhora. A clara motivação que estes pacientes apresentam é, de certa forma, incentivada pela própria decisão, pelo poder de escolher o que melhor, para si mesmo.

Se o paciente, no meio do tratamento, continua, mesmo que eventualmente usando drogas, a sua mente não tem como aceitar e nem apresentar motivação no tratamento.

Aconselho às família que ajudem o paciente a tomar ´por ele mesmo a decisão, pois, assim, vai perceber a melhora. Com o passar dos dias de tratamento, terá mais motivação para continuar o tratamento e  abandonar o vício de forma definitiva.

O dependente tem, durante a permanência na clínica, todo o apóio e auxílio dos profissionais na sua reintegração sócio-familiar. O mesmo paciente neste período pode ter tempo para uma auto-reflexão e avaliação, para tomar consciência do seu problema.

Usando metodologias próprias, há uma busca incessante, que tenta resgatar valores, auto-estima e conceitos familiares que apontam para a disciplina, o trabalho em grupo, as relações sociais e da família. Em algumas clínicas também se programam atividades que miram os valores espirituais.

Existe uma certa analogia, do que estou explicando, com aquele indivíduo que é fumante. As vezes ele tem sérios problemas de saúde que só vão agravar-se com a continuidade do vício. Mas, ele resiste em abandonar a nicotina - droga contida no cigarro - que cria a famigerada dependência química.

Nunca vi ninguém ficar numa clínica de recuperação para abandonar o cigarro. O meu método que tem dado maior resultado é muito simples, o mesmo que eu fiz para abandonar os dois maços de cigarros por dia que fumava até o dia 20 de setembro de 1976.

Chegou um paciente fumante já com o pulmão bem deteriorado, e eu, vendo a sua radiografia, fui bem claro. "Você está muito mal, se continuar fumando vai morrer logo". Ele me olhou e disse, "se o cigarro faz mal, porque motivo o senhor que é médico, fuma? " Eu fui muito rápido, na resposta, "eu não fumo mais!" afirmei, peguei  o maço no bolso com 18 cigarros, pois era cedo. Esmaguei todos eles de uma só vez, com a minha mão direita. Com a mesma mão joguei no lixo.

Depois deste episódio, nunca mais coloquei um cigarro na boca. Apareceram vários "amigos" que nunca me ofereciam cigarros, mas agora sim. Só para testar a minha, motivação. Sofri por três semanas a falta da nicotina, mas me livrei do vício e da minha dependência química. Fonte: Central Terapêutica

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(*) Guillermo Bolaños é médico em Santa Isabel, SP - <guillermobolanos@gmail.com> BLOGUILLERMO" TEM DOIS ENDEREÇOS, LÁ VOCÊ PODE REVER ALGUMAS DAS MATÉRIAS AQUI PUBLICADAS http://guillermo.bloggeiro.com/index.htm - http://guillermo.criarumblog.com/index.htm


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